sexta-feira, 29 de julho de 2011

No more tears

Há anos não enjoo meu próprio perfume, não troco de amores, não mudo meus hábitos. Existe dentro de mim algo em processo intenso, querendo tornar-se perpétuo, constante.
Quem em outro momento excitava-se com a ideia de liberdade, descoberta e conquista, agora renuncia a tais prazeres para dar espaço à tua permanente presença em minha estrada.
Ainda vejo tantos caminhos esperando ansiosamente por nós e há flores neles, surpresas, brilho nos olhos, encanto, músicas e muito amor. Em alguns trechos teremos desvios a fazer, paradas obrigatórias e ultrapassagens arriscadas, tudo será superado com amor. Porém, esses caminhos necessitam do seu sim para concretizarem-se, precisam do seu amor, da sua dedicação e envolvimento.
Eles existirão conforme formos passando por eles, embora ainda não consigamos vê-los.
Esse caminho é possível e outros também, basta apenas que haja amor e companheirismo. Nesse caminho não há lugar para egoísmo ou arrependimentos.
Pelo amor seremos conduzidos e conduziremo-nos. Por amor faremo-nos felizes. De amor seremos plenos, completos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Coração de vidro

Abri a porta e senti teu cheiro, fiquei tonta ao inspirar o ar tão profundamente num desejo tolo de guardar aquele cheiro em algum lugar dentro de mim. Afastei as cadeiras, sentei no sofá e continuei a respirar aqueles ares. Repentinamente brotaram flores por entre as cerâmicas - grandes tulipas azuis - e elas levaram teu cheiro, apagaram tua lembrança naquele momento. Levantei-me e acreditei que esses sinais tão irrefutáveis eram um presságio da tua visita. Corri para o banheiro, colhi as tulipas que se espalhavam pela sala e me afoguei daquele cheiro.
Em cima da cama, meu vestido novo, olhei-me no espelho e vi-me bonita. Os cabelos ainda molhados emolduravam meu rosto tão sereno e tranquilo. Sem pensar, coloquei o vestido, a sandália prata e um vinho na geladeira. Zelei para que tudo ficasse perfeito quando você chegasse, varri as raízes das tulipas, escondi as olheiras do meu rosto, pus um blues para tocar. Vesti-me de um perfume delicado e envolvente, abri a janela para que meu cheiro te buscasse onde quer que você estivesse. As horas passavam e aqui chegava toda sorte de gente, conversavam alto, pisavam as surpresas que plantei para você, ocupavam o espaço que te reservei...
Calmamente fui até meu quarto e novamente banhei-me de perfume, coração acelerado parecia dizer que aquela campainha tocando trazia você atrás da porta; corri e numa desesperada oração benzi-me olhando para o céu. Abri a porta de olhos fechados e sorriso aberto: tudo em vão. Atrás da porta tinham apenas cartas para os desconhecidos da sala. Tranquei-me no quarto ao lado e chorei até desfazer a máscara alegre que cobria meu rosto. Voltei ao meu quarto, despi-me vagarosamente das esperanças, dos sonhos, das ilusões, e numa tentativa de provar a mim mesma que tudo havia acabado, joguei contra a parede o perfume que me envolvia. Ficamos no chão, partidos em mil pedaços, agonizamos eu e os cacos, eu estou um caco; no chão fundi-me ao cheiro irritantemente forte, aos pedaços de mim e do meu coração de vidro que se quebrou.

domingo, 24 de julho de 2011

Alegria, meu nome é alegria.

Eu tenho vinte e três, ele dezenove.
Eu estou com o coração partido, ele ainda não sabe o que é ter coração.
Eu tenho a vida corrida, ele corre na praia.
Meu tempo se esvai, o dele é suficiente.
Tenho os olhos cansados, os dele são verdes.
Tenho estado sozinha, ele rodeado de pessoas.
Eu estava contemplando o mar, ele me contemplando.
Disse que gosta do meu olhar "agateado",
E eu disse que não sei o que isso significa.
Ele me diz que tenho o olho de gatinho, falou assim,
olhinho de china e sorriu.
Eu disse que o sorriso dele é contagiante,
e ele perguntou por que eu não sorri, então.

Eu saí da praia, ele mora lá.
Me disse que posso encontrá-lo sempre que precisar ser contagiada por sorrisos.
Então, eu sorri e fui.
Ele ficou.
Seu cheiro de juventude ficou em mim,
dobrei a esquina e ele me olhava, eu fingia não mais vê-lo.
Então, ele veio até mim, enquanto eu apressava meus passos.
Perguntou meu nome, eu disse que poderia me chamar de tristeza.
O dele é alegria, eu sei, nem perguntei...
Pediu que eu ficasse mais um pouco, neguei seu pedido.

Quando subi naquele ônibus e o vi me olhando,
tive vontade de descer e dizer que precisava ali, agora, ser contagiada,
mas, meus vinte três anos pesaram, decididamente,
procurei um lugar agradável e sentei-me,
sem esperanças, alegria ou tristeza.

Eu fui, ele ficou.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Do perdão...

Perdoar nunca foi uma das tarefas mais difíceis pra mim, talvez tenha sido a criação que recebi (obrigada pinho e mainha, beijoooos) ou as situações externas a que estive inserida. Eu realmente não consigo compreender como as pessoas conseguem levar consigo mágoas, ressentimentos, sentimentos de vingança por meses, anos, ou até pior: por toda vida.

Todos somos humanos, machucamos e somos machucados o tempo inteiro; Todos somos humanos: algumas vezes o erro do outro é tão imperdoável que não podemos nem suportar a ideia de perdoar tal erro. Nós também somos humanos pra errar e quase sempre achamos que merecemos perdão para nossos erros, então, por que não perdoar? Mas, e se a pessoa não for merecedora desse perdão? Você fez sua parte, e além de tudo tirou de si o peso que vem sempre acompanhado com as mágoas e ressentimentos. Isso é se amar e ser humano! Você nem pode imaginar a força de um perdão, tanto para quem é perdoado, quanto para quem libera o perdão. Quem é perdoado passa a perdoar mais por reconhecer-se na falha do outro e quem perdoa passa a perdoar-se também quando se reconhece como ser humano passível de erros. O perdão é uma forma de amor, é uma demonstração de amor. Quem entenderia a mãe que perdoou o filho viciado em drogas por tê-la roubado? Quem entenderia o marido que perdoou a esposa por tê-lo traído? Quem compreenderia aquela moça que perdoou seu namorado quando num momento de fúria ele agrediu-a? Tenho dito que apenas quem ama entende o perdão e apenas quem ama pode liberá-lo. O amor não aliena, assim como o perdão também não. Perdoar não é aceitar, isso é resignação. Perdoar é limpar o coração, é desejar que outro encontre seu caminho também, é deixar que a mágoa seja levada pelo tempo para lugar nenhum. Perdoe! Liberte-se! Ame!!!

quinta-feira, 10 de março de 2011

=)

Ah, mas eu to tao feliz, dizem que o amor atrai...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

quinta-feira, 4 de junho de 2009

um novo caminho, saindo da roda.

"A roda? Não sei se é você que escolhe, não. Olha bem pra mim - tenho cara de quem escolheu alguma coisa na vida? Quando dei por mim, todo mundo já tinha decorado a tal palavrinha-chave e tava a mil, seu lugarzinho seguro, rodando na roda. Menos eu, menos eu. Quem roda na roda fica contente. Quem não roda se fode. Que nem eu, você acha que eu pareço muito fodida? Um pouco eu sei que sim, mas fala a verdade: muito? Falso, eu tenho uns amigos, sim. Fodidos que nem eu. Prefiro não andar com eles, me fazem mal.
Você não conhece esse gosto que é o gosto que faz com que a gente fique fora da roda que roda e roda e que se foda rodando sem parar, porque o rodar dela é o rodar de quem consegue fingir que não viu o que viu. Boy, esse mundo sujo todo pesando em cima de você, muito mais do que de mim e eu ainda nem comecei a falar na morte..."

Caio Fernando Abreu em "dama da noite"